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MOSAICAHOLIC
Mosaicista restaura obra de Franco Giglio

 





 


Se produzir um mosaico soa como desafio imagine restaurar os traços de um mestre? A mosaicista Ângela Damiani, nascida no interior de São Paulo e radicada em Curitiba desde o ano 2000, não apenas aceitou o trabalho minucioso como executou com maestria, em 2009, a restauração do painel de Franco Giglio que estampa a entrada do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba.


 

 

 

   

Detalhes do painel antes da restauração

A obra do italiano nascido em Dolceaqua (1937 – 1982), e que passou parte de sua vida no Brasil, foi instalada no portal em 1966. Anos depois foi retirada do local e armazenada. Mais tarde, o painel fixo em fibra de vidro, voltou ao portal de origem, mas a instalação, feita de maneira inadequada tanto na parte estética quanto na base utilizada, deu início à degradação.

 


 


 

A restauração exigiu profissionalismo e levou um ano e quatro meses para ser executada. Uma lona montada em frente ao cemitério abrigou a equipe de restauro que trabalhou inclusive domingos e feriados, das 8 às 18h, sob a coordenação de Ângela Damiani, mosaicista responsável, e do arquiteto Roberto Martins, da Arquibrasil Arquitetura e Restauro, empresa que venceu a concorrência da Fundação Cultural de Curitiba para a execução da obra. “O mosaico valioso de Giglio estava tão deteriorado que muitos que por aqui passavam, lamentavelmente, não davam valor”, lembra Ângela.

Trabalho pesado. A equipe, contratada por Ângela, teve que ser trocada várias vezes já que muitos não se adaptavam à rotina que o restauro exige. O mosaico precisava ser totalmente retirado da parede e o agravante era o fato de estar em fibra de vidro, material inadequado para ambiente externo. “Bastava um pequeno toque e as pastilhas despencavam, mas como retirar um trabalho deste porte da fibra, sem danificar a obra? Pesquisando, encontrei algumas respostas e decidi fazer um teste”, conta.

O mosaico, em vidrotil, foi retirado aos poucos. Pastilha por pastilha recebia a limpeza necessária que envolvia o uso de instrumentos de dentista, hipoclorito de sódio e, quando não havia jeito, o ácido. As peças eram fixadas ao contrário com cola caseira, sobre um pano que em princípio era gaze, depois algodão até chegar ao morim, tecido que se adaptou melhor ao que o trabalho exigia.

Cuidados máximos para não descaracterizar a obra. Quando o painel retornou ao local de origem, no passado, foi fixado de forma diferente o que quebrou a unidade do mosaico. O trabalho de Ângela, além da recuperação, era voltar, com base em fotos antigas à forma original. “O Cristo foi fixado separado do anjo. Colocaram uma coluna no meio. Além disso, originalmente as fotos mostram um andamento, um opus vermiculatum em todo ele, mas a pessoa que reinstalou não conhecia mosaico e acabou avançando com o fundo, opus regulatum, o que descaracterizou a obra”, explica. Olhando fotos antigas, com lupa, percebeu que apenas nas mãos do Cristo, por algum significado, não havia o contorno que acompanhava a obra. Assim o trabalho foi refeito. “Foi emocionante fazer o restauro. Poucas linhas, poucas cores e muito movimento caracterizam a obra maravilhosa de Giglio. Um trabalho limpo onde é possível ver até o drapeado dos vestidos”, observa a artista.

 
 


 



   

 
  Poema de Fagundes Varela (abaixo, à esquerda). Ângela Damiani e Vergínia Bressan

 


Um fato inusitado auxiliou os restauradores. Verginia Bressan, da administração do Cemitério, guardou em copos de plástico as pastilhas que caíram ao longo dos anos. Trabalho fundamental. Todas foram reaproveitadas. Ainda assim, foi preciso recorrer à Pastilhart, empresa de revestimentos, para a compra de novas peças. Entre 30 e 40% das pastilhas utilizadas são novas.

A equipe que acompanhou Ângela revelou novos talentos. Estudantes de arte, arquitetura, designer e até filosofia marcaram presença. "Muitos se revelaram excelentes e bravamente ficaram até o fim”, comemora a artista formada em História, Administração, Artes Plásticas e Pós-Graduada em Recursos Humanos, Remuneração e Benefícios, e que após a aposentadoria, se entregou ao restauro e à arte musiva.

O painel de Giglio foi o primeiro restauro em mosaico feito por Ângela Damiani, mas para chegar até aqui percorreu longo caminho. No ano 2000, recém chegada a Curitiba, visitou exposição no Jardim Botânico e adquiriu um vaso em mosaico de Bea Pereira que, em seguida, passou a dar aulas para Ângela. Paixão instantânea. O mosaico passou a fazer parte de sua vida. A profissionalização em restauro fez em Santa Maria degli Angeli, cidade próxima a Assis (Itália), e lá estava quando houve o terremoto que destruiu parte dos afrescos da Igreja de San Francesco onde ajudou a resgatar os pedacinhos. Da Itália para o Brasil fez, no Centro de Cultura Italiana, o curso de restauro com foco em arquitetura e em pedra. Restauros na Praça do Homem Nu e nos leões de louça do Palacete dos Leões, em Curitiba, levam sua assinatura.


Fotos: Fábio Floriano e acervo de Ângela Damiani
 
     
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